BALEIA AZUL: o jogo que “brinca” com a morte

Um jogo virtual mortal tem movimentado a internet e chamado a atenção do mundo todo.  Trata-se do Jogo da Baleia Azul (Blue Whale), que está se disseminando mundo afora pelas redes sociais.

Especula-se que o jogo começou na Rússia, onde mais de cem suicídios tiveram ligação com a brincadeira macabra, um tipo de desafio com tarefas a serem cumpridas ao longo de 50 dias. As “missões” seriam orientadas por um curador, que verificaria se os resultados alcançados pelos jogadores são satisfatórios, e apresentariam graus de dificuldade variados: assistir a filmes de terror, acordar de madrugada, desenhar baleias, arrumar brigas e se automutilar. O 50º e último desafio seria o de tirar a própria vida.

No Brasil, até agora, há a notícia confirmada de duas mortes relacionadas ao jogo: uma adolescente de 16 anos do Mato Grosso e um jovem de 19 em Minais Gerais. No Paraná, já houveram mais de dez casos de automutilação e tentativas de suicídio que também teriam ligação com o jogo.  A polícia de todo o Brasil tem trabalhado dia e noite nas investigações do caso e as autoridades tem pedido que pais e professores redobrem os cuidados, afim de proteger e orientar as crianças e adolescentes.

Cuidado redobrado

De acordo com a psicóloga Larissa Cabreira, as principais medidas protetivas que podem ser adotadas pelos pais é monitorar o uso da internet, observar comportamentos estranhos e principalmente, conversar com os filhos, afim de conscientizá-los sobre as consequências do jogo.

As crianças e adolescentes que apresentam transtornos psicológicos, como depressão, por exemplo, costumam ser mais atraídas por jogos como o da Baleia Azul. “O jogo vai atrair principalment, aquela criança e adolescente que já possui uma  disfunção, uma falta de estímulo de viver. Eles podem ver no jogo um apoio, um estimulante para que eles criem coragem de tirar a própria vida”, explica Larissa.

Conforme a psicóloga, a geração de crianças de hoje possui um problema muito grande, que é o de não saber lidar com frustrações e dificuldades, e isso pode levá-las à problemas psicológicos. “Isso pode ser evitado com uma psicoeducação dos pais, dialogando com as crianças e ensinando que dificuldades irão vir ao longo da vida e que será preciso enfrentá-las.”, explica.

No caso dos adolescentes, um dos principais problemas é a falta de autoestima e o isolamento, o que os deixa emocionalmente vulneráveis. “É preciso ficar atento aos sinais: eu vejo meu filho socializando? Ele tem amigos? Ele sorri? Ele se diverte? Ele sai de casa? São comportamentos que podem dizer se o adolescente está bem ou não”, pondera a psicóloga. “Sentir tristeza, raiva e desânimo é inevitável. Não dá para impedir que as crianças e adolescentes passem por isso. Mas é possível ensiná-las a lidar com a dor”, completa.

É preciso falar sobre suicídio sim

É importante que as escolas promovam um debate sobre este jogo e suas armadilhas, enfatizando também o suicídio, um assunto que ainda é um tabu em nossa sociedade, muitas pessoas se sentem incomodadas em falar sobre o assunto. Porém, ao contrário do que se imagina, o debate é essencial, pois falar sobre o tema auxiliará crianças e adolescentes depressivos ou com tendência a depressão a expressar sobre o que sentem e procurarem ajuda profissional.

É preciso o acolhimento e o debate sobre o assunto não só dos pais e de professores, mas sim de todos nós. Diálogo com afeto ainda é o melhor remédio para resolver qualquer situação que nos incomoda.

Associações de ajuda:

Centro de Valorização da Vida: www.cvv.org.br

Rede Brasileira de Prevenção ao Suicídio: www.redebraps.com.br

Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos: www.abrata.org.br

Pravida – Projeto de Apoio à Vida: www.pravidaufc.webnode.com.br

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