A igreja é avarenta?

Historicamente a igreja e o poder estiveram relacionados, e por isso, o dinheiro fez da igreja uma instituição poderosa

Dízimo vem do hebraico “maaser”, que significa “oferta” ou tsedacá chamada de “justiça”, e surgiu no tempo de Abraão.  A palavra Dízimo é encontrada pela primeira vez na Bíblia em Gênesis capítulo 14, versículo 20, e diz respeito a uma atitude voluntária de Abraão, quando depois de uma guerra, ofereceu a um sacerdote chamado Melquisedeque, parte das suas colheitas/ceifas como forma de agradecimento. Esse fato fica mais claro em Hebreus, capítulo 7, versículo 5.

A Tsedacá (dízimo) não é mais que um ato de caridade: toda vez que alguém proporciona satisfação a outros – mesmo aos ricos – com dinheiro, comida ou palavras reconfortantes, ele cumpre a palavra de Deus, exerce justiça. Por este motivo, em nos nossos dias dízimo não é deveria ser apenas dinheiro.

Mas então a relação da igreja com o dinheiro se deu somente através do dízimo? Segundo a história conta no tempo de Jesus, os primeiros cristãos eram pobres e foram duramente perseguidos pelo império romano, ordem esta que era vigente na época. Depois de séculos fugindo e lutando contra perseguições, o número de adeptos ao cristianismo começou a crescer, sobretudo entre as classes mais desfavorecidas.

 

 A comunidade cristã aumentou muito, quando o império romano permitiu a celebração de culto aos seus cidadãos, por volta do ano 313 da nossa era. Depois disto, veio a conversão do imperador romano Constantino a essa religião. Segundo o historiador Francisco Ferreira Junior, após a adesão de Constantino, a igreja católica passou a ser ligada com o luxo, o poder e a riqueza, que herdou das ruínas do estado romano. “Durante a idade média, preocupando-se cada vez mais com o poder e a riqueza, a Igreja católica chegou a forjar um documento falso, chamado Doação de Constantino, que afirmava que o imperador romano Constantino teria deixado todas as posses do império para a Igreja. Com essa e outras atitudes, foi no período medieval que a Igreja Católica, única representante do cristianismo na época, atingiu seu auge de luxo, poder e riqueza”.

Mas não foi apenas isso. Na idade média, os padres vendiam “lotes de terra no céu” por quantias consideráveis de dinheiro, outros cobravam por orações para que os parentes e antepassados das famílias fossem libertos do purgatório, e ainda vendiam pedaços de madeira como sendo restos da verdadeira cruz de Cristo, além de pedirem dos grandes senhores feudais parte de seus tesouros pessoais para as obras da igreja.

Setenta reais é o preço de cada cartela de medicamentos para o tratamento de coluna de Sirlei Terezinha de Campos, 36 anos. Atualmente ela recebe auxílio doença do governo do estado, no valor de setecentos reais, destes, dez por cento vai para a igreja, ou seja, os setenta reais equivalentes ao medicamento se convertem em sua doação ao dízimo.

Sirlei Terezinha Dizimista fiel

Sirlei Terezinha Dizimista fiel

Para o filósofo, Cláudio Andrade, a avareza é considerada um vício que nos impede a prática das virtudes evangélicas. Por isso, o avarento é incapaz de generosidade, solidariedade, partilha, socorro ao necessitado – exigências fundamentais do cristianismo, e deste modo, o dízimo que seria sinônimo de caridade se torna o oposto de sua virtude a avareza. “Se a soberba se situa na ordem do ser, a avareza concerne à ordem do ter. É o querer possuir além do necessário. São Tomás de Aquino define-a como “desejo desmedido de posse”.

 

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