Inclusão que ensina e transforma vidas

Em Guarapuava, a Escola Municipal Dom Bosco é a prova de que, apesar das dificuldades, incluir crianças com necessidades especiais beneficia a todos 

Algumas crianças nascem ou desenvolvem na infância algum tipo de deficiência: surdez, cegueira, autismo, paralisia cerebral, transtorno de déficit de atenção, dislexia, entre outras. Essas crianças têm necessidades especiais de aprendizagem e precisam ser estimuladas.  A inclusão escolar é uma forma de fazer com que esses pequenos tenham o mesmo acesso à educação que os outros, proporcionando a eles melhorias em seu desenvolvimento intelectual e social. Em Guarapuava, a Escola Municipal Dom Bosco é um exemplo a ser seguido quando o assunto é inclusão.

São 440 crianças matriculadas na escola, e deste número, trinta são crianças inclusas, ou seja, crianças diagnosticadas com algum tipo de deficiência. Esse número é bem expressivo para uma escola de ensino regular. As crianças estão espalhadas por todas as turmas, aprendendo devidamente em suas séries de ensino, porém, de formas flexíveis.

“Utilizamos de atividades lúdicas, jogos, brincadeiras, materiais manipulativos, que eles possam tocar, sentir, usar o tato, ver as cores. No inicio de cada bimestre, nós sentamos com as professoras e a equipe pedagógica  e vemos todo o conteúdo que vai ser trabalhado com as crianças, e aí pensamos nesse mesmo conteúdo de uma forma individual pra cada criança inclusa”, conta a pedagoga da escola Mônica Cristina Menon Follador.

Em toda turma que há uma criança inclusa, além da professora, há também uma acompanhante, uma professora auxiliar que irá direcionar o pequeno que precisa de um atendimento especial e individual. Esse acompanhamento é essencial para o processo de aprendizagem deles.

 

Incluir é transformar

Para a pedagoga Mônica e a professora Ana, a inclusão transformou a vida do João

A educação inclusiva começa em casa, quando os pais se convencem que é preciso criar os um ponto de partida para a criança crescer como qualquer outra e ter possibilidade de obter ganhos em sala de aula.

João Lucas Gonçalves, de 7 anos, está incluso em uma turma 2º ano do ensino fundamental. João é autista, e a forma com que se trabalha com ele, devido as suas necessidades especiais, é um pouquinho diferente da forma com que se trabalha com as outras crianças. “Por causa do autismo, João tem dificuldades de falar, ele pronuncia pouquíssimas palavras. Então, um dos desafios é compreendê-lo. Muitas vezes ele acaba se irritando por a gente não conseguir entender. Então ele chora, fica bravo”, diz a professora Ana Campos Moreschi.

Segundo a professora Ana, o trabalho em sala de aula, não é só a aprendizagem do João. É também incluí-lo no meio das outras crianças, e as outras crianças no mundo dele. “A convivência do João com os colegas é muito boa. As crianças adoram ele, porém ele não gosta do contato, por causa do autismo mesmo. Então, todos nós sabemos que não podemos forçar o contato, isso tem que vir dele”, explica Ana.

A professora e a pedagoga ressaltam a importância da socialização das crianças inclusas. Segundo elas, quando João chegou na escola, no ano passado, ele era bastante inseguro, tinha um pouco de receio dos colegas.  Hoje, é uma nova criança, muito mais sociável. As profissionais associam esse desenvolvimento à inclusão ao ambiente escolar e à convivência com as outras crianças.

 

Afeto

Criançada do 2ª ano B, turma em que João está incluso

O afeto é uma disciplina de apoio para transformar a escola em espaço para todos. Na Escola Dom Bosco, com a inclusão, crianças e professores aprendem coisas que não estão nos livros. “Aqui na escola, a coisa mais bonita de se ver é que as crianças não tem preconceito. Elas são sensíveis e carinhosas. Não existe um olhar diferente para com as crianças inclusas. Elas se sentem em casa”, relata a pedagoga. “Cada autista, cada criança inclusa, independente de qual seja a necessidade especial, é diferente da outro. Trabalhar com eles é um desafio diário, mas é muito gratificante”, completa.

“A gente aprende diariamente. Eles vieram pra tornar a gente melhor. Eu hoje sou uma pessoa melhor. Depois que nós começamos a trabalhar com as crianças inclusas, nosso jeito de ver a vida mudou. Essas crianças vieram para nos humanizar”, relata a professora Ana.

 

Um espaço para todos

Na escola, não só os pequenos se sentem acolhidos. Os pais também. Todo mês é realizado o encontro das mães das crianças inclusas. O encontro se chama “Fuxicando sonhos”. Neles, as mães fazem trabalhos manuais com fuxico, e também compartilham histórias, trocam experiências, falam sobre as conquistas dos filhos.  A escola se torna então, um espaço de inclusão para todos.

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