Veranico em agosto atrapalha a agricultura

O plantio de trigo e da cevada na região de Guarapuava foi feito com atraso, por causa do excesso de chuvas. Agora, em função da ausência dela (a chuva) a situação da lavoura é preocupante. A terra seca está impedindo o desenvolvimento da semente e, se continuar assim, pode trazer prejuízos ao setor agrícola do Estado. O cenário é traçado pelo presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, que tem, ainda, outra preocupação: o possível atraso no plantio da soja.

O clima está estranho. Essa época do ano nunca foi tão quente e sem chuvas. O inverno do Sul do Brasil é caracterizado por temperaturas próximas de zero grau e muita umidade. Fatores que favorecem o desenvolvimento de plantas como o trigo e a cevada. Como nada disso está acontecendo, a situação começa a preocupar o produtor.

Desde a década de 80 do século passado que esta região vem trocando sua característica. De pecuária com grandes extensões de terras povoadas por animais de várias raças, dá lugar às plantações de leguminosas, soja e cevada, principalmente, mas também é possível encontrar por aqui milho, feijão, batata, aveia … etc.

Otimista

Rodolpho, que carrega consigo uma tradição centenária de agropecuarista (seu avô, Lacerda de Werneck, não apenas empresta o nome ao Parque de Exposições da cidade, mas também é reconhecido como ex-Secretário de Agricultura do Estado) encara com certo otimismo o cenário que se traça para o setor. “Os preços internacionais estão bons por causa da desvalorização do real perante o dólar”, reconhece, mas lembra que, por outro lado, muitos dos insumos usados tanto na agricultura quanto na pecuária são cotados em dólar também. “Há casos em que nossos insumos tiveram aumentos de 20 a 40%”, aponta. Mas salienta que não apenas a moeda azmericana vem pressionando os preços: energia, diesel,etc pesam, bastante, na hora de produzir.

As oscilações da economia vêm castigando a sociedade como um todo. O setor agropecuário já vinha sentindo problemas desde o ano passado, mas foi a partir de março deste ano que a situação se mostrou por inteiro. “Essas oscilações da economia inviabilizam qualquer planejamento do setor produtivo. E é isso que orientamos nossos associados: a que tomem cuidado com o planejamento da lavoura ou da produção da pecuária, caso contrário o prejuízo será grande”, orienta o dirigente sindical.

Agrônomo, Rodolpho reconhece, também, que o consumidor está reticente. “É claro que sentimos pequena queda no consumo da carne, por exemplo. Mas o setor primário – a agropecuária – vem sustentando o PIB brasileiro há muito tempo, e se não fossem nossas exportações, a situação estaria ainda pior”, diz ele.

Cenários

Há que se reconhecer que o cenário mundial vem contribuindo para que o Brasil melhore ainda mais sua balança de exportações. “Os Estados Unidos são importador e exportador de carne, mas está reduzindo seu plantel. A Austrália passa por uma seca violenta nos últimos anos e também reduziu o plantel. A Índia vem crescendo, mas seu produto ainda carece de qualidade. O potencial do Brasil é crescente, mas precisamos trabalhar a nossa qualidade”, explica  Rodolpho.

A falta de frio e chuva está fazendo com que tanto o trigo quanto a cevada estejam florescendo antes do tempo. A “primavera” antecipada pode acarretar em problemas para a agricultura do Sul do Brasil.

Protestos

O presidente do Sindicato Rural de Guarapuava acompanhou os protestos realizados em todo Pais no domingo (16). “Não concordo com todos os pontos apresentados no protesto, mas também defendo a governabilidade, o fim da impunidade e da corrupção no país”, conclui ele.

(Reportagem publicada na edição 108 do jornal Extra, de 16 de agosto de 2015)

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