As placas automotivas do Mercosul

 

 

No ano que vem, acentuando-se a partir de janeiro de 2017, entra em vigor o tratado do Mercosul que unifica as placas de automóveis dos países participantes do pacto. As barreiras aduaneiras permanecem criando literalmente barreiras a produtos de todos os lados das fronteiras, mas tudo indica que pelo menos nesse quesito, a unificação das placas dos automóveis de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela (o Paraguai foi solicitado a retirar-se; outros cinco países são chamados associados – Bolívia, Chile, Equador, Colômbia e Peru e dois são observadores – Nova Zelândia e México) tudo parece caminhar nos conformes.

A nova placa é bonita e já foi adotada por alguns países, antecipando-se às datas do acordo, coisa comum de acontecer nesse bloco nada heterogêneo de países. A Argentina, por exemplo, já colocou em prática a identificação dos veículos com fundo branco, quatro letras e três números. O objetivo é facilitar a visualização e leitura pelas fiscalizações eletrônicas, além de dificultar, com alguns dispositivos de segurança, eventuais clonagens

A nova placa terá margem azul superior, com o emblema do Mercosul à esquerda e o nome do país ao centro. A bandeira nacional ficará à direita da placa, que terá, ainda, linhas onduladas horizontais e marcas d’água com a logo do Mercosul, gravadas na película refletiva. Ela valerá para o Brasil, Uruguai, Paraguai, a Argentina e Venezuela.

  • Fabricantes

O Paraná tem duzentos fabricantes de placas, reunidos em torno da Associação Paranaense de Placas Automotivas, a Afaplacas. Parcela dos associados – são ao todo 162 – esteve reunida em Guarapuava para a eleição da nova diretoria, que tem à frente o empresário Mauro Henrique Oliveira, de Londrina.

Ele sabe que vai encontrar uma pedreira pela frente. Não é muito fácil conciliar os interesses de tantos fabricantes, todos legitimamente credenciados pelos Detrans municipais a fornecer a placa e, principalmente, o lacre. É nesse último – o lacre – que se encontram as informações que unem o veículo como um todo – chassi e tudo mais – ao documento de identificação e sua placa. Porém, já tem uma carta na manga. Pretende, claro, dar continuidade ao trabalho do presidente anterior,  Juarez Borges, mas já anuncia que vai dividir o Estado em pelo menos oito regionais. “As delegacias regionais vão aproximar a associação dos anseios e necessidades dos associados, pois o Paraná é grande demais para ser administrado de um único local”, disse ele, ao tomar posse, na semana passada.

O Paraná é pioneiro na rastreabilidade dos veículos com as informações no lacre. Por isso, as mudanças que começam a ocorrer a partir do ano que vem, serão pouco sentidas por aqui. “Servimos de modelo para os outros estados que vêm aqui conhecer nosso sistema”, diz o presidente. É claro que as novas medidas não vão impedir roubos ou clonagens, mas pelo menos vão dificultar.

  • Retração

O mercado de placas segue o padrão do que vem ocorrendo em todo país. “Durante o ano de 2014 a média foi de 80 mil lacres distribuídos por mês. Nos primeiros seis meses do ano, essa média caiu para cerca de 70 mil”, acentua Mauro. Uma retração de menos de 10%, ainda favorável numa situação de crise – de dinheiro e de confiança – como a que vive o Brasil.

“A perspectiva para o ano que vem, com a adoção dessa nova placa, é muito boa para os fabricantes. Esperamos que a média de fabricação supere as 80 mil verificadas no ano passado”, concluiu o presidente.

(Esta reportagem fez parte da edição 111 do jornal Extra Guarapuava)

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