O florescer de um projeto acadêmico

Por: Paula Andreoli

Tudo começou em 2015, na disciplina de Projeto Experimental, da Unicentro. A matéria, que visa ampliar a visão dos acadêmicos do último ano do curso de Jornalismo, também busca o desenvolvimento social, por meio do olhar sobre o outro. E esse ‘olhar’ motivou Caio Budel, Isabela Lessak, Nádia Moccelin, Naiara Persegona e Priscila Schran, sob orientação da professora Ariane Pereira.

De acordo com Nádia, para dar o ponta pé inicial, era preciso definir um tema. Engajados e, ao mesmo tempo, revoltados com os grandes índices de violência contra a mulher em Guarapuava, a escolha foi unânime. E assim, aos poucos, o projeto ia florescendo.

“O tema do projeto partiu de duas observações. A primeira foi o cenário que Guarapuava apresenta, quando relacionado à violência contra a mulher, sendo que, segundo o Mapa da Violência de 2015, 28 mulheres foram assassinadas no município nos últimos cinco anos. A segunda observação foi que a partir da implantação da Secretaria da Mulher serviços estavam sendo oferecidos, mas eram pouco disseminados. Assim, a proposta foi apresentar todas as informações sobre o ciclo da violência contra a mulher, como ela ocorre, como buscar ajuda e de que modo podemos trabalhar para combater esse tipo de violência. Suprir a carência de conteúdos informacionais foi nossa maneira de devolver à sociedade todo investimento social oferecido para nossa formação”, afirmou a jornalista.

Assim, durante seis meses, os formandos desenvolveram uma série com cinco reportagens de spots radiofônicos, um documentário em vídeo e um livreto informativo intitulados “Florescer”. Para tanto, eles contaram com a parceria da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, por meio da secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres e vice-prefeita de Guarapuava, Eva Schran, e de voluntárias que se dispuseram à contar suas histórias.

Visibilidade

O resultado não podia ser diferente. O desabafo, a história, os sonhos, os medos, as angústias e as esperanças dessas mulheres fez com que o Florescer tivesse destaque, primeiramente municipal, uma vez que os spots foram difundidos na rádio Unicentro FM.

Na sequência, os alunos foram convidados a apresentar o projeto na Câmara Técnica Estadual de Gestão do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, em Curitiba. O convite veio após relato de Eva Schran para a presidente da Câmara Técnica, Terezinha Ramos, sobre o trabalho realizado pelos formandos da Unicentro e repassados à secretaria. “Depois que expliquei como o trabalho tem sido útil no dia a dia da secretaria, a Terezinha pediu para que o material fosse apresentado para outras gestoras de secretarias terem conhecimento”, afirmou Eva.

E não parou por aí. O relevância do material teve reconhecimento no Intercom Sul (Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação), maior evento de comunicação da região. O conjunto formado pelos três materiais conquistou a categoria de Produção Multimídia, que os permitiu concorrer na etapa nacional. Assim, os agora jornalistas representaram a Unicentro em São Paulo, na semana passada, de 6 a 9 de setembro.

O resultado não poderia ser diferente. O trabalho, que tornou-se uma arma no enfrentamento à violência contra a mulher foi o melhor produto multimídia do Brasil. Mas, como explica Priscila, quem venceu juntamente com o grupo, foram as mulheres.

“Eu queria muito ganhar a Expocom. Mas não tanto pelo trabalho, e sim pelo que ele representa. Com os depoimento reais de cada mulher conseguimos sensibilizar outras mulheres sobre o que é a violência e como ela se torna cada vez mais grave como passar do tempo. Então receber o prêmio é um importante passo e seu reconhecimento nos orgulha. Mas saber que o projeto está sendo usado na prática e mais mulheres irão buscar ajuda nos faz acreditar ainda mais no papel da comunicação e do jornalismo como um todo”, concluiu a jornalista Priscila.

Alerta aos homens

Embora o projeto vise ajudar as mulheres, ele também seu papel social de alertar os homens, sejam agressores ou amigos de quem sofre violência. Único homem no grupo, Caio Budel conta que, por meio do projeto, entendeu a importância de que, além de empoderar as mulheres, trabalhos do gênero também são importantes para conscientizar os homens. “Esse projeto mostrou que uma mulher não é um objeto, como muitos homens infelizmente acabam as tratando. Apesar de a fala de cada uma das entrevistadas ter uma carga enorme de sofrimento, é reconfortante ver que, no fim, elas superaram ou estão conseguindo essas fases tristes de suas vidas, onde homens tentaram as controlar”, declarou o jornalista.

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