Enxergando com a alma

Em Guarapuava, a Apadevi, atende cerca de 140 deficientes visuais, auxiliando na autonomia do usuário 

Buscar a autonomia e a socialização são características de quem está pronto para contribuir com a Apadevi (Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual).

A associação, sem fins lucrativos, nasceu em me
ados de 1985 e, tem como principal objetivo criar a autonomia do deficiente, como explica o presidente da instituição em Guarapuava, Renilson José Kluber. “É criar autonomia, aprender a usar a bengala, aos que tem baixa visão que perdem o reflexo, então é feito estimulação visual, são feito aulas para eles aprenderem a usar esse pouco que enxergam. Nossa principal finalidade é estar inserindo eles na sociedade”. A Apadevi começou com o interesse de pais para que seus filhos fossem inseridos e participassem da sociedade.

CASA

Em Guarapuava

Há 27 anos na cidade, a Apadevi atende pessoas com deficiência visual e baixa visão, na sede em Guarapuava, funciona, também, o EJA (Escola de Jovens e Adultos) para a formação dos deficientes visuais.

Quando começou suas atividades a Apadevi atendia em média 30 pessoas, hoje, já atende cerca de 140 com idades entre nove a 85 anos. Renilson explica que a procura tem aumentado, porém a estrutura é restrita para fazer todos os atendimentos. ” Tem aumentado bastante, só que nosso espaço é meio limitado, porque a maior parte dos atendimentos é individual e não temos espaço pra isso”.

Atividades

Além de receber o apoio que precisam, quem procura a instituição tem apoio a escolaridade, aulas de braile para quem já é cego ou para quem tem baixa visão, matemática para os cegos (Soroban), informática com computadores adaptados, oficinas de artesanato e música, grupo de teatro, curso de massagem com diploma, a Escola de Jovens e Adultos, grupo de mães que oferece curso de bordados, fuxicos, costurar para auxiliar na renda. Assim como a Atividade de Vida Autônoma (AVA), que é como uma casa mobiliada, com cozinha, máquina de lavar roupas, banheiro, quarto onde os usuários aprendem a fazer as atividades sozinhos. “O braile é um dos auxílios, a mobilidade que é usar a bengala para estar saindo sozinho na rua, que é o principal para quem não tem visão e, a própria AVA, que aprende ou reaprende tudo para estar inserido na sociedade”, explicou o presidente.

Acolhimento na sociedade

Segundo o presidente, boa parte da sociedade acolhe o deficiente visual, mas há muito preconceito. “Teria que ter mais sensibilidade para estar acolhendo”, Renilson ainda completa dizendo que, há dificuldades na inserção no mercado de trabalho, já que as empresas não estão adaptadas para acolher.

 Acessibilidade

A Apadevi faz parte do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (COMDDEG), onde participam várias instituições da cidade. Dentro do COMDDEG, a associação luta pela instalação do piso tátil, pelo não uso das lixeiras altas, lixos nas calçadas, calçadas quebradas, degraus. “Mas eles tem dado resposta, esse ano que estão dando resposta. No terminal não tem nada adaptado, as calçadas no centro é uma ou outra que tem na frente o piso, ou mesmo a rampa que é rebaixada para o cadeirante, e tudo isso é necessário”, explicou Renilson falando das ações conjuntas com a prefeitura.

Recursos

A maior parte dos recursos da Apadevi vem do Governo do Estado. São 13 professores, além de funcionários, custeados pelo estado, além de parceria com a prefeitura. Outras verbas vem de ajudas com festas regionais, a Expogua e a ajuda da comunidade.

 Para ajudar?

Como a associação conta com a produção de pierogues a ajuda pode ser em mantimentos para a produção, como também, ser um associado Apadevi e contribuir mensalmente. Para isso basta entrar em contato pelo telefone (42) 3622-0617.

Como me sinto na Apadevi?

Everton Luiz Rodrigues, 25, nasceu deficiente visual e faz parte da associação desde muito cedo, com oito meses de idade. “Minha carreira começou aqui dentro, foi ela quem deu o ponta pé pra eu estar onde estou hoje”, contou.

Mesmo com a infância difícil, Everton, nunca desistiu, e conta que a vida tem melhorado muito. Hoje, ele, além de usufruir da Apadevi, é voluntário nas aulas de informática.

Para quem tem medo de se expor por conta da deficiência, Everton deixa o recado para que não façam isso, mas que participem da instituição. “É um lugar bom, você vem, se diverte, convive com as pessoas que tem o mesmo problema, não diria problema, o mesmo jeito que você. É uma escola de convivência!”, concluiu.

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