Mulheres da vida: O uso da tecnologia no mercado do sexo

 

Foto: Divulgação

Falta de oportunidade de trabalho obriga acadêmica esquentar marmita no sol e se prostituir para garantir o sustento seu e da mãe em Guarapuava

Nesta edição vamos dar continuidade na reportagem exclusiva que entrou no submundo da prostituição guarapuavana, onde a crise econômica afetou diretamente levando muitas das profissionais do sexo avaliarem o seu modo de vida.

Ao contrário de que muitos pensam a prostituição não está presente apenas nos locais relatados nesta matéria, ou sendo uma atividade voltada para os homens como público consumidor, as mulheres também atuam neste cenário, principalmente nos dias atuais, com uso das tecnologias, novas plataformas e produtos eróticos, que acrescentaram a um mercado que hoje movimenta US$ 400 bilhões/ano, onde a tecnologia e sexo possui dispositivos que estão sendo aprimorados para tentar se aproximar da relação sexual e não como dispositivos para a masturbação ou para complementação do sexo.

Lojas de Sexshop online oferecem produtos e brinquedos eróticos, e faturam alto com a venda de produtos e fetiches.  Segundo pesquisa digital divulgada recentemente pela Mobile Time/Opinion Box, 90% das pessoas utilizam os aplicativos dos Smartphomes para seus contatos eletrônicos diários. O Whatsapp vem em segundo lugar e o Facebook em terceiro. Estas plataformas eletrônicas são muito utilizadas pelas profissionais do sexo diariamente num contato direto com seus clientes sem a necessidade da exposição nas ruas.

A acadêmica no curso de Fisioterapia, Rafaela S. de 20 anos é um desses exemplos. Oriunda de São Paulo começou a se prostituir depois de tanto ser assediada pelo seu patrão, que por muitas das vezes lhe assediava insistindo para que fizessem sexo, até que um dia acabou cedendo, mas em troca de algo, o dinheiro. “Você nunca vai saber se o cliente quer apenas o sexo, quer desestressar ou procura alguém para conversar, a gente tem que estar ali, disponível”, conta a acadêmica.

Morando em Guarapuava desde 2016, com sua mãe e fazendo a curso de graduação, tem nos seus contatos uma rede de clientes que atende sempre que é solicitada via smartphones. Ela diz que em Guarapuava os homens são exigentes, desde o uso do lingerie, horário dos encontros e roupas. No seu relato a jovem conta que por conta da falta de oportunidade de emprego, muitas vezes por não ter dinheiro faltou gás em casa, que obrigou ela e a mãe colocarem a marmita no muro exposto ao sol para esquentar a comida. Além de tantas outras dificuldades enfrentadas diariamente por não ter uma renda mensal garantida.

Projeto Bem-Te-Vi

A prefeitura de Guarapuava vem criando políticas públicas, com olhar voltado para este público que utilizam o sexo como forma de subsistência. O projeto “Bem-Te-Vi”, foi criado pela necessidade de um serviço especializado que pudesse atender às demandas das profissionais do sexo na cidade e região. Para isso, o Serviço de Atendimento Especializado (SAE), atua no atendimento para mulheres, são feitos testes rápidos de HIV /AIDS, Sífilis e Hepatites B e C que ficam prontos em meia hora. Além do fornecimento de preservativos sexuais (masculino e feminino) acompanhado de gel lubrificante, consultas médicas, rodas de conversas em escolas, universidades, empresas, bem como visitas mensais.

Ao todo são 10 profissionais em atuação: enfermeira, médico, assistente social, psicólogo, farmacêutica, administrativo, duas técnicas de enfermagem, servente e o motorista. Em 2016, o número de mulheres cadastradas eram 280, já para este o ano, os números oscilam, uma vez que a maioria das pacientes não costumam retornar as consultas médicas com frequência, apenas 60 % comparecem aos tratamento e exames de rotina.

Maria Clarice Barth Kunkel, enfermeira coordenadora do programa fala da importância do seu papel em Guarapuava enquanto profissional de saúde. “Nosso trabalho é contínuo, toda semana conhecemos pessoas novas, muitas travestis e transexuais nos contam que não são bem atendidas nas Unidades Básicas de Saúde, aqui é o local em que elas precisam ser acolhidas e seguras, muitas delas até me reconhecem e cumprimentam na rua”, enfatiza Clarice.

A enfermeira também faz um alerta sobre a prostituição, onde seus protagonistas sofrem com o preconceito. “Sexo é muito bom, mas precisa ser praticado com responsabilidade, muitas pessoas julgam, mas nunca pararam para se colocar no lugar destas mulheres, o que elas passam ou já passaram, todo dia eu deixo o meu preconceito atrás da porta para ir trabalhar e dar meu apoio a elas, que são seres humanos sem nenhuma distinção a nós”, finaliza.

Confira na próxima edição a última reportagem desta série que retrata a realidade dos personagens que atuam na prostituição em Guarapuava.

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